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Museu de Terras de Basto

Museu de Terras de BastoA Secção Museológica de Arco de Baúlhe ocupa as instalações de material circundante daquela Estação terminus da Linha do Tâmega. Nela está patente material representativo da actividade ferroviária na região. Tem início na Livração, onde a Linha do Tâmega só começou a ser construída em Março de 1905 pelos Caminhos de Ferro do Estado–Companhia do Minho e Douro (CFE/MD).

Gerou-se uma grande polémica quanto à definição do traçado e à quantidade de empresas interessadas na sua construção, e só em 1898, quando começam os estudos de organização do Plano das linhas a norte do Mondego, aprovado em 1900, se classificou de modo definitivo esta linha como complementar da Linha do Douro. Em via reduzida (1,00 m), entre Livração, Amarante e Cavez, pela margem direita do rio Tâmega, entroncando naquela última localidade com a Linha de Guimarães a Chaves (a Linha de Guimarães chegou apenas a Fafe). O primeiro troço, que faz a ligação entre Livração e Amarante, foi inaugurado a 20 de Março de 1909. e posteriormente, na Lei de 03/04/1913, o Fundo Especial dos CFE previu a construção da linha, para além de Amarante. Em 1916 emerge um novo impulso, mas os trabalhos de construção dos 5 Km de linha, entre Amarante e Gatão, só terminaram em 23/06/1928. Mais cinco anos se gastaram na construção do troço entre Gatão e Chapa (5 Km), explorado em 22/06/1926.

Em 1927 a CP toma de arrendamento as linhas do CFE e subarrenda a do Tâmega à Caminhos-de-ferro do Norte de Portugal (NP).

De Chapa a Celorico de Basto demorou o comboio a chegar seis anos (20/03/1932), e em 21/12/1933 era aprovado o projecto entre Celorico e Arco de Baúlhe. Contudo, em 12/05/1941 a Comissão Administrativa da NP, de vido à grave crise ferroviária desta década, mandava suspender a exploração de todo o percurso, apesar de estarem feitos trabalhos de terraplanagem e quase concluído o viaduto de Maratamá.

Em 1947 esta linha passa a fazer parte da rede ferroviária nacional, explorada apenas pela CP. O comboio chega finalmente a Arco de Baúlhe em 15 de Janeiro de 1949.

O Museu Ferroviário de Baúlhe contempla o seguinte espólio:

LOCOMOTIVA MD 407 / CP E167
Ano de Construção: 1905 a 1909
Construtor: Henschel e Sohn
Timbre da caldeira: 12 Kg/cm2
Esforço de Tracção: 7175 Kg
Tipo de Distribuição: Walschaerts/Plana
Capacidade de aprovisionamento Água: 3500 l / Carvão: 1300 Kg

CARRUAGEM VV C34 / CP CEyf 453
Ano de Construção: Princípio sec. XX
Construtor: ??? (Bélgica)
Classe: 3.ª
Em 1947 numerada CP C2

AUTOMOTORA A GASOLINA ME5

Ano de Construção: 1948
Construtor: Oficinas da CP/Lisboa
Motor: Chevrolet
Lugares: 11 de 1.ª classe / 16 de 2ª classe / 10 de pé

CARRUAGEM NP C81 / CP CEfv 79
Ano de Construção: 1890
Construtor: Of. PPF/Porto (Só chassis)
Classe: 3.ª
Reconstruída nas Oficinas da C.ª dos Caminhos de Ferro do Porto à Povoa do Varzim

CARRUAGEM-SALÃO CN SAyfv 2 / CP SEyf 201
Ano de Construção: 1906
Construtor: Carl Meyer & Cª/Dusseldorf

CARRUAGEM-SALÃO MD ARs 1 / CP SEfv 4001
Ano de Construção: 1905
Construtor: Atellers Germain/Belgica

Para além da exposição ferroviária permanente, contempla ainda uma exposição temporária anual, patente ao público desde o dia 08 de Agosto de 2009 até Junho de 2010 intitulada “Profissões de Antigamente – uma viagem pelas memórias de trabalho em Cabeceiras de Basto”.

A exposição estrutura-se em oito espaços compostos por objectos e testemunhos de vida e de trabalho, procurando aliar a dimensão visual com uma banda sonora dos contextos específicos de trabalho como o do agricultor, o cesteiro, o tamanqueiro, o alfaiate, o latoeiro, o vinicultor, o carpinteiro e a moleira.

Depois de abordar o conceito de Trabalho do ponto de vista histórico, aborda também as novas formas que o Trabalho assume na actualidade, e a relação que se estabelece entre o tempo de trabalho e o tempo de lazer. Termina com uma caixa surpresa, onde se concentram ditos populares e imagens sobre o trabalho com o intuito de levar o visitante a fazer uma reflexão sobre os impactos dos modelos de trabalho na vida pessoal e social.

A exposição também apresenta audio-guias em Português, catálogo, folhas de sala em Português, Francês, Inglês e Braille, com as respectivas legendas em Braille, passadeiras e sinalizações de orientação, podendo ser tocado por todos numa lógica de abertura e inclusão.

Antes de sair da exposição, poderá ainda observar o “Monumento ao Agricultor”, da autoria do escultor António Pacheco, 1997, localizado no Campo Seco, em Refojos.

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