Museu Ferroviário de Lousado

A freguesia de Lousado, ao ser atravessada pela linha ferroviária de Guimarães que englobava o troço Trofa – Vizela, é nesse imediato momento dotada com uma oficina de construção e reparação de material ferroviário. Essas oficinas empregavam cerca de 100 trabalhadores. Com o fim da circulação de máquinas a vapor, também estas oficinas encerraram, tendo sido criada uma secção museológica ferroviária, inaugurada a 13 de Julho de 1980.
No dia 5 de Dezembro de 1987, o príncipe Eduardo (um dos herdeiros ao trono de Inglaterra) visita Portugal e fica instalado quatro dias na cidade do Porto. Durante a sua estadia, foram organizadas visitas nas quais se insere a visita ao Museu Ferroviário de Lousado. Chega pontualmente às 9h30 acompanhado da sua comitiva e é recebido pelas autoridades civis de Vila Nova de Famalicão e muitas pessoas do povo. A apresentação e acompanhamento da exposição foi efectuada pelo fundador e director Engº Ginestal Machado, servindo de intérprete D. Duarte Nuno, Duque de Bragança.
Actualmente, este museu ocupa a totalidade do antigo complexo oficinal da Companhia dos Caminhos-de-ferro de Guimarães com cerca de 1400 m2. O projecto de arquitectura e restauro deste espaço procurou respeitar as tipologias, as funções e os materiais construtivos dos edifícios, hoje com lugar de destaque no âmbito da arqueologia industrial. Parte das coberturas é composta por telha marselha assente num sistema de asnas à francesa, com clarabóias longitudinais e forro em madeira. Algumas das paredes foram construídas com pequenas porções de xisto preto e castanho, articulando-se assim, com o nome da terra, Lousado.
A distribuição espacial conferida ao núcleo teve como referência a colecção e os equipamentos oficinais pré-existentes. Este Museu contempla um programa com área públicas e privadas, com bons locais de acolhimento ao público, loja, visitas guiadas e garantia da mobilidade de todos os visitantes, aliado a um funcionamento regular, que permite potenciar ao máximo este legado histórico e social.
A exposição do material circulante está cronologicamente organizada e tem como principal objectivo mostrar uma grande variedade de comboios. O material existente entre 1875 e 1965, é oriundo de oito companhias e foi adquirido em seis países a quinze construtores.
A sua exposição contempla o seguinte espólio material:
• Locomotiva CFG 6 “Soares Veloso” (1907)
• Locomotiva PPF 14 (1905)
• Locomotiva E 144 (1931)
• Locomotiva CF PPV 6 (1874)
• Automotora CP ME 7 (1948)
• Carruagem A 5 (1906)
• Carruagem C 334 (1906)
• Carruagem 8229004 (1911)
• Carruagem CFG 9443003 (1883)
• Salão de direcção SEyf 5 (1931)
• Vagão CFG 32 (1888)
• Vagão CFPPdeV 11 (1874)
• Dresine MEC 01
• Dresine DIE 3
• Dresine DPE 1
• Guindaste rolante oficinal (1875)
• Carruagem Posto-Médico
• Vagão fechado 1115008
• Cisterna de água 7013001
• Quadriciclos a pedal
• Vagonetas (Zorras)
• Grua rolante 9411001