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Fábrica de Fiação e Tecidos Rio Vizela

Fábrica de Fiação e Tecidos Rio VizelaA emergência da Fábrica Rio Vizela, marca o início do processo de industrialização no Vale do Ave. Até ao seu surgimento, em 1845, a actividade têxtil caracterizava-se pela utilização de técnicas ancestrais de fiação e tecelagem, numa lógica doméstica de produção. A sua implementação na freguesia de São Tomé de Negrelos teve um grande impacto paisagístico e social, dando novos contornos a uma realidade fortemente ruralizada. Esta sua localização não era aleatória, pretendia aproveitar a energia natural do rio Vizela.

A 12 de Setembro de 1845 é criada a "Sociedade de Fiação de Visella" resultado de uma parceria mercantil que pretendia estabelecer uma fiação de algodão. Foi formada por 11 sócios e tinha a sede na cidade do Porto, de onde também eram originários os sócios, à excepção de um que apresentava uma nacionalidade francesa. No seu conjunto, eram comerciais, industriais, investidores, e um técnico. A construção do edifício, iniciada a 10 de Outubro de 1845, ficou a cargo desse técnico, Eugénio Cauchoix, que depois ascenderia ao cargo de director técnico da fábrica e que viria a desempenhar um papel importante na construção da fábrica e na montagem da linha de produção.

A fábrica apresentava um capital social de quarenta contos de reis e durante os primeiros anos de laboração foi crescendo, estabelecendo a fiação num edifício de quatro andares e a construção do escritório, projecto esse baseado nos estabelecimentos têxteis ingleses. Em 1947, é elaborado o regulamento interno onde a campainha começa a ganhar destaque como instrumento de regulação do tempo e das rotinas laborais.

O algodão utilizado na produção têxtil era proveniente dos Estados Unidos da América e do Brasil e a comercializado era feita no Porto e em Lisboa, apostando sempre no investimento em maquinaria e nos terrenos envolventes da fábrica. Contudo, estes primeiros anos pautaram-se também por uma instabilidade financeira e dificuldade de escoamento da produção devido às elevadas taxas alfandegárias impostas ao algodão. Apesar das dificuldades inerentes ao contexto histórico, a guerra de 1861/65 nos EUA e o consequente aumento do preço do algodão possibilitaram que a fábrica retirasse lucro do produto armazenado, permitindo que as décadas posteriores fossem de modernização e alargamento da fábrica até à outra margem do Rio Vizela. Com o aumento das encomendas foram contratados mais trabalhadores e a actividade comercial alargada até às colónias. Esta instituição fabril também é a principal responsável pela chegada do transporte ferroviário a Negrelos, e tendo participado activamente no conserto da estrada de ligação à Vila de Santo Tirso.

O sócio fundador António José Cabral começa a ganhar destaque no interior da administração da empresa, chegando mesmo a ser condecorado por D. Maria II, com a comenda da ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo pelos serviços prestados aquando da sua deslocação a Santo Tirso em 1852. Após a sua morte, Diogo José Cabral, seu filho, ocupa esse cargo na direcção. O seu papel no crescimento da fábrica ficou reconhecido, em 1900, pelo Rei D. Carlos. Aos Cabrais foi atribuído o título de "Conde de Vizela" devido à localização da sua fábrica, uma vez que a família é de origem beirã.

Em 1895 já tinha instalado uma turbina para o aproveitamento de energia eléctrica, mas adquiriu grande destaque a construção da Central Hidroeléctrica de Caniços, em 1908, pelo forte incremento da potência energética, originando um aumento visível da produção. É nesse ano que D. Manuel II se desloca numa visita à fábrica de Negrelos, onde lhe é oferecido um elegante almoço. No ano anterior, falecia o director técnico Honoré Vavasseur e quatro anos depois, ocorre um grande incêndio que destruiu parte do edifício da fiação, tendo morrido dois operários, o que implicou uma reconstrução mais preocupada com as questões da segurança.

A 30 de Maio de 1914, a fábrica transforma-se numa sociedade por quotas, com a denominação de "Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, Lda".

No início da década de 50, a Fábrica de Rio Vizela já empregava 3000 operários, trabalhava com 31624 fusos e 1200 teares. Em 1953, nascia a Sociedade de Fiação e Tecelagem do Rio Vizela, com o II Conde de Vizela a manter-se no topo do conselho de administração até 1968. Após o seu falecimento esse cargo fica à disposição dos seus herdeiros. Narciso Machado Guimarães adquiriu a fábrica, em 1973, à sociedade cessante. Após o seu afastamento, cede o lugar aos seus descendentes directos.

A administração da fábrica de Negrelos demonstrava uma preocupação social, patente na criação de um refeitório, de uma loja de venda de pão e de outra destinada à venda de tecidos. Em 1910, é criada a Associação de Socorros Mútuos dos Operários da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, com o objectivo de apoiar os operários em situação de doença ou afastamento do trabalho. Honoré Vavasseur criou ainda, a banda de música que teve como primeiro maestro Evangelista Pereira da Conceição. O reconhecimento social da banda foi-se construindo pela participação em festas e romarias locais, mas no final da sua existência já participava em actividades internacionais. Importa também destacar, a presença nas Festas do Espírito Santo, que eram muitas vezes organizadas por uma comissão composta por operários desta fábrica.

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