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Cutipol

CutipolO burgo vimaranense nasce no século X e tinha como prioridade a concentração de um conjunto de actividades e bens importantes e imprescindíveis à vida quotidiana da sua população. Do ponto de vista do funcionamento interno, fomentava-se a interdependência profissional, factor de resistência e persistência dessas actividades ao longo do tempo. Segundo o Regimento do Ofício de Cutelaria, os objectos fabricados nesse período, eram na sua maioria facas de marfim com ou sem cabo de cinco esquinas; facas de mesa de cabo preto e liso; facas de mesa de cabo de ferro oitavado; facas de cabo de ferro chatos; facas de mesa de cabos pretos à estrangeira; tesouras de sapateiro e alfaiate; tesouras de tosquiar ovelhas de anilho redondo; tesouras de tosquia comuns; tesouras de barbeiro comuns; tesouras de crinas, de aparar papel.

Esta variedade na produção evidencia diferenças relacionadas com a classe social de pertença dos artesãos, levando-os a especializações de fabrico distintas.

Segundo o Inquérito Paroquial de 1842, percebemos que a cutelaria era uma das indústrias que mais empregava os habitantes locais. O Relatório da Exposição Industrial de 1884 dá-nos a indicação de que este segmento industrial utilizava uma mão-de-obra total de 433 trabalhadores, 361 homens e 72 rapazes. No século XIX, a paisagem industrial pautava-se pela sua forte vertente tradicional e artesanal, coexistindo com escassos conhecimentos técnicos. A força motriz da maioria destas fábricas resultava do aproveitamento da energia hidráulica, traduzindo a ausência de recursos económicos para o investimento nas máquinas a vapor.

Nos anos 60, a grande vaga de emigração originou a perda de mão-de-obra na indústria das cutelarias, incrementando substancialmente o seu declínio. As unidades que sobreviveram a esse período crítico apostaram fortemente na modernização, dando origem ao panorama industrial que hoje conhecemos e que é pautado, por um lado, por um segmento de produção mais acessível, de menor qualidade e menos inovador do ponto de vista do design, e por outro lado, por um outro de elevada qualidade técnica e forte preocupação estética, como é o caso da Cutipol.

A actualmente denominada Cutipol – Cutelarias Portuguesas Lda, tem origem no princípio do último quartel do século XIX numa oficina tradicional, pertencente a João Oliveira, e está localizada perto das presentes instalações. Situava-se na freguesia de Sande, num moinho à margem de um ribeiro. Aproveitando o desnível dos leitos para auxiliar as operações de amolar e polir o material, através da energia hídrica dos “engenhos”. Os conhecimentos empíricos e todos os segredos da actividade de produção de talheres foram transmitidos de geração em geração. Em 1956, o seu fundador instala-se por conta própria e faz uma visita aos principais centros europeus na década de 60, aí percebe-se das diferenças estéticas e de qualidade entre os produtos nacionais e internacionais. A partir deste momento, e com a ajuda dos filhos e de trabalhadores excepcionais, a Cutipol tem progressivamente vindo a adquirir um lugar de destaque e reconhecimento que transcendem as fronteiras nacionais.

O grande objectivo deste grupo familiar é uma produção com elevados índices de qualidade, resultado directo da “energia” do trabalhador que ao longo do tempo e da experiência de trabalho adquire uma perícia única e insubstituível do ponto de vista mecânico.


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